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| Boa aposta no mercado: 3 milhões/2010 |
| 02/06/2007 |
O crescimento de vendas no mercado brasileiro está ou não fora de realidade? A pergunta é intrigante para responder e tem deixado os executivos responsáveis por decisões estratégicas com mais dúvidas do que certezas. Afinal, depois da retração iniciada há uma década, veio a recuperação muito forte nos últimos três anos, até chegar aos números estonteantes de hoje. Sempre relembrando, porém, que apesar do crescimento a taxas chinesas deste ano, 2007 vai apenas superar o recorde de 1997.
Esse questionamento dominou as conferências e debates durante o recente Seminário AutoData Revisão das Perspectivas 2007, realizado em São Paulo, com a participação dos presidentes dos quatro maiores fabricantes do País que representam 80% dos veículos vendidos. Ray Young, presidente da GM, referiu-se à esquizofrenia para relatar o comportamento do mercado, por suas subidas e descidas ao longo do tempo. Houve até convergência nas previsões. Os presidentes da Fiat, C. Belini, e da Volkswagen, Thomas Schmall, cravaram o mesmo centro do alvo para a aceleração das vendas: 20%. O presidente da Ford, Marcos Oliveira, preferiu ficar com os números da Anfavea que, por enquanto, reviu os números de crescimento para “apenas” 14%.
Aos clientes da indústria interessa mais saber se vão encontrar o carro desejado, sem enfrentar filas de espera ou pagar sobrepreço. Essa certeza ninguém deu, mas há indicativos de que uma situação de estresse é pouco provável de acontecer. O salto na demanda ocorre em um momento atribulado na exportação e parte desse volume pode ser redirecionado para comercialização interna. Em outros casos a importação vai suprir uma parcela da procura: deve alcançar algo em torno de 200.000 unidades este ano ou cerca de 10% das vendas de automóveis e comerciais leves.
De qualquer forma notou-se um amadurecimento no discurso da indústria. O real valorizado acaba por permitir certo grau de flexibilidade nas decisões, além de melhorar bem os balanços financeiros quando convertidos ao dólar. Tanto que apenas a GM terá uma queda ponderável no número de unidades exportadas. A soma do faturamento de todas as empresas com as vendas externas, no entanto, ficará estável em 2007. Além da correção de preços, está sendo possível montar um mix mais rentável entre os modelos exportados. Sem esquecer de que o dólar se desvalorizou em vários países que compram nossos carros. E, também, permite importar mais barato componentes, máquinas e até aço, como anunciou a Fiat no seminário.
Uma análise objetiva foi feita por Letícia Costa, presidente da filial brasileira da consultoria Booz Allen Hamilton. Para ela, resta saber se a reação atual se deve a um movimento de renovação da frota ou se há a agregação de novos consumidores. A coluna acredita que ambos os fatores estejam ocorrendo. A migração para um motor flex pode ser apenas pretexto para quem tinha um carro bem rodado. Mas o peso maior vem de prazos longos de financiamento – possíveis pela queda dos juros –, aumento da confiança e algum ganho de poder aquisitivo. Em 2010, chegaremos aos 3 milhões de unidades frente aos 2,3 milhões deste ano. É uma boa aposta.
RODA VIVA
RENAULT decidiu fabricar mais um sedã na Argentina, segundo comunicado distribuído no país vizinho. É provável que utilize a arquitetura da primeira geração do Mégane, produzido em Córdoba. Será possível manter em produção quatro sedãs: este e mais Clio, Logan e Mégane II? Haverá ainda um modelo da Nissan. Tudo indica um utilitário esporte compacto para combater o EcoSport.
POR razões de segurança, na linha 2008, já à venda, a Volkswagen melhorou o desenho do quebra-mato estilizado do CrossFox e o manuseio do estepe pendurado na tampa traseira. Faróis de dois refletores nesta versão e no Route realçam diferenças para o Fox de entrada. O Gol teve poucos retoques, mas agora é possível ter suspensões elevadas, a exemplo do oferecido no Mille.
COROLLA flex criou um fato novo para a Toyota e alavancou campanha publicitária de peso para defender sua posição de mercado. Curva de torque ao usar álcool é melhor, porém a diferença, muito sutil. O motor em si quase nada acrescenta tecnicamente, salvo a possível economia de combustível não indicada em números — erro igualmente cometido por Honda, Peugeot, Citroën e Mitsubishi.
“DEVIDO à utilização em veículos Ford de bicos de injeção de combustível autolimpantes, a limpeza periódica dos bicos não é necessária.” Essa advertência se encontra nos manuais de instrução dos carros da marca. Basta ler para nunca mais ser enganado. Em tempo: informação correta e válida para veículos de qualquer marca e deveria vir em todos os manuais.
CUSTA US$ 300,00 e está disponível em parte da rede Michelin o monitor remoto Schrader de pressão dos pneus. O equipamento é exigido nos EUA para picapes e utilitários esporte. Exibe no painel pressão e temperatura em cada roda e aviso no caso de furo que faça a pressão cair rapidamente. Funciona com bateria de longa duração.
Texto: Fernando Calmon
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