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| Combustível adulterado e suas ameaças |
| 15/05/2007 |
Fraudes nos postos de serviços não chegam a ser novidade, mas o nível de reincidências aumentou e preocupa muito. Bastou uma série de reportagens da maior rede de TV do País para que algo fosse feito e o problema começasse a vislumbrar alguma solução pelo menos paliativa. Falhas de legislação e precariedade de fiscalização, além da tradicional morosidade da Justiça brasileira, complicam ainda mais o quadro. Todos perdem: o motorista, os fabricantes com discussões e aumento de custos de garantia e, claro, a grande maioria de donos de postos e distribuidoras honestas que sofrem com a concorrência desleal e o abalo de suas marcas.
Imagens na televisão e fotos de jornais com blocos de concreto junto às bombas de combustível em São Paulo (SP) chocaram. A certeza da impunidade ultrapassou a repetida quebra de lacres e a volta ao funcionamento de estabelecimentos já interditados. Entrevistado por telefone, um fraudador simplesmente zombou do repórter. Alguns vendiam gasolina adulterada só um pouco abaixo do preço de mercado porque vários motoristas desconfiam de preços muitos baixos e de postos sem bandeira. O pior são aqueles que mantêm a bandeira de uma distribuidora tradicional, mesmo descredenciados, aproveitando-se de apelações judiciais. Só no Estado de São Paulo são mais de 200. O logo da rede 13R é praticamente igual ao da BR. As distribuidoras ajudariam se publicassem na internet os endereços de todos os postos regulares para quando houvesse dúvidas.
Um dos problemas de fiscalização diz respeito à inoperância da Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP). Há apenas oito fiscais para 2.000 postos na capital paulista. Porém, logo depois das denúncias na TV, saiu do papel um convênio com o Departamento de Controle do Uso de Imóveis (Contru) da prefeitura assinado há um ano e meio. Continua pouco — 10 fiscais extras —, mas ajuda. Também não se compreende o descontrole no uso de solventes na adulteração da gasolina com sérios prejuízos aos motores.
A fraude mais grosseira é o teor de álcool acima dos 25% previstos em lei. Graças à disseminação dos motores flex, essa coluna já comentou que o motorista, quando usando gasolina, nada percebe de diferente, embora seja lesado duplamente no preço e no aumento de consumo, além da menor autonomia. Mesmo em motores a gasolina, 40% ou 50% de álcool, por exemplo, traz grandes lucros para os fraudadores e torna-se difícil a percepção por parte do motorista comum. Sensor de álcool acoplado às bombas de gasolina deveria ser motivo de estudo imediato pela ANP. Afinal, bombas de álcool incluem obrigatoriamente densímetros termocompensados para controle do teor de água.
Outra preocupação é a repetição de casos de carbonização severa, com sérios prejuízos, em motores a gasolina de baixa quilometragem. Limpezas químicas vendidas em concessionárias não funcionam. Afeta praticamente todos os fabricantes e a maioria no eixo São Paulo—Rio. Ainda se investigam as causas, mas pode estar ocorrendo simples contaminação no transporte. A desconfiança recai sobre caminhões que levam óleo vegetal ou biodiesel sem os cuidados necessários ao trocar para gasolina.
RODA VIVA
MÉDIA diária de vendas no primeiro quadrimestre do ano superou em 21% igual período de 2006. Este será, com certeza, um ano recordista, acima de 2,2 milhões de unidades. É bom, porém, relembrar: dez anos atrás se chegou ao patamar de quase 2 milhões. Por baixo, volume do mercado interno deveria estar em 3 milhões/ano. Portanto, ainda estamos no prejuízo.
FIAT oferecerá também rastreador de graça no Stilo, em breve. Ao contrário da precursora Volkswagen, a fábrica vai bancar o serviço no primeiro ano. Câmbio manual automatizado estará na lista de opcionais. Nesse item o Stilo tem ficado atrás de outros hatchs: Astra, Golf, Focus e 307. Até um compacto — o 206 — oferece agora câmbio automático.
LINHAS ousadas, espaço interno bastante amplo, suspensão hidropneumática ativa, gama de acessórios de série de impressionar. Do banco traseiro há comando elétrico para avançar o banco do passageiro dianteiro. Assim é o Citroën C6, ao preço bem competitivo de R$ 230.000,00. O V6/3 litros/215 cv tem desempenho bom, mas inferior ao do C5, do segmento abaixo (mais leve), que utiliza o mesmo motor com apenas 5 cv a menos.
REMODELAÇÃO total do Freelander 2 mostra a Land Rover no caminho certo. O carro ficou mais agradável de dirigir, a começar pela sonoridade inigualável de um dos raros motores 6-cilindros em linha do mercado mundial. Contrariando a tradição da marca e o que sugere seu visual, vai melhor no asfalto civilizado. Fora de estrada a suspensão é ruidosa e dura, enquanto controles eletrônicos ajudam em terrenos difíceis.
MAIORIDADE penal aos 16 anos (caso aprovada) pode, finalmente, consentir que jovens a partir dessa idade tirem carteira de habilitação. O advogado Vanderlei da Silva Jr. lembra ser necessária aprovar lei específica. Resolução do Contran seria inaplicável.
Texto: Fernando Calmon |
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