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Poluição: só querer combater não basta
12/04/2007

O Brasil já avançou bastante em regulamentos ambientais, mas ainda patina em decisões anunciadas e não cumpridas. Os motores a diesel, aqui utilizados em caminhões, ônibus e picapes acima de uma tonelada de capacidade de carga, são os mais trabalhosos no controle de emissões poluentes. Esse tipo de motor apresenta comportamento ambíguo, ao expelir gases pelo escapamento. Emite relativamente pouco monóxido de carbono, mas é muito ruim quanto a material particulado (MP) e óxidos de nitrogênio (NOx). E o pior: ao se melhorar a combustão, diminui MP e aumenta NOx. Se cair este, aumenta-se aquele.

Em 2009, esse problema começaria a ser resolvido em boa parte, se a lei fosse respeitada. O Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) estabeleceu os limites, equivalentes aos da norma européia Euro IV de 2005, dentro de um programa que sempre funcionou muito bem. O Proconve (Programa de Controle de Poluição do Ar por Veículos Automotores) é flexível e permite mais de uma solução técnica. No entanto, a qualidade do combustível deveria melhorar substancialmente. Aí a coisa encrenca.

Já se discutiu o assunto em vários seminários. O mais recente no dia 29 de março, em São Paulo (SP), promovido pela Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA), recebeu o título instigante: “Proconve — Necessidades e Impasses Iminentes”. Mais uma vez, deu em nada. Seria necessário todo o diesel vendido no País, dentro de dois anos, ter no máximo 50 ppm de enxofre para as novas tecnologias funcionarem. Também a imensa frota de caminhões velhos e malconservados passaria a emitir menos poluentes.

A Petrobrás, dona do monopólio do refino, alega ser um investimento pesado e produzirá apenas 10% das exigências do País. Caberia à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) fazer cumprir a meta. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) vai a todos os seminários para pregar o respeito ao ar que respiramos. A ANP, sempre convidada, nunca aparece. E fica tudo por isso mesmo.

O descaso não se limita ao nível federal. Em São Paulo, onde está a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), ligada à Secretaria estadual do Meio Ambiente, um laboratório inteiro de análise de emissões e ruídos enfrenta cinco anos de atraso para a instalação. A Cetesb certifica há 23 anos os automóveis antes de entrarem em circulação. Com os novos equipamentos, os testes de caminhões e motocicletas poderiam ser aprofundados e se avançaria em novas etapas do Proconve.

Por fim, continua o impasse sobre a importação de pneus usados da Europa. Só no ano passado, mais de sete milhões entraram no País. Quatro milhões transformaram-se em remoldados e o restante, desviado para o mercado irregular dos chamados meias-vidas. Os fabricantes de pneus novos acabam de criar a Reciclanip, inspirada em empresas européias especializadas em destinação dos inservíveis, aprofundando um ótimo programa de recolhimento e reciclagem existente. No Brasil, apenas uma portaria proíbe essa importação de lixo ambiental, o que facilita a expedição de liminares. Enquanto uma lei se arrasta em discussões intermináveis no Congresso.

Não basta querer: é preciso fazer.

RODA VIVA

ANFAVEA assumiu a realidade e mudou suas previsões. Pudera: no primeiro trimestre a média diária de vendas subiu nada menos que 20% em relação a 2006, conforme previsto pela coluna. Estoques caíram para 6O% do nível histórico. A aposta para 2007 é o recorde de 2,2 milhões de unidades no mercado interno, ou 14% de crescimento. Perto do nível chinês pelo quarto ano consecutivo.

QUANDO chegar a versão hatch do Vectra, em meados do ano, terá o motor de 2,4 litros flex como deveria ser desde o início. Para o lançamento em 2005 não houve tempo de aumentar a taxa de compressão. Resultado previsível: consumo de álcool bastante elevado. E, com o tanque pequeno (já aumentado), autonomia reduzida levou a muitas queixas.

CITROËN C5 se destaca por ter a melhor relação preço-benefício pela potência oferecida. Afinal, um V6 de 210 cv e suspensão hidropneumática ativa por R$ 145.000 é bastante atraente. No modo esporte, comportamento em curvas é muito bom, sem comprometer o conforto. Pode-se estranhar subida e descida automática da carroceria. Automático, de 6 marchas, tem tudo que um câmbio desse tipo sempre deveria oferecer: redução e freio motor .

PARA quem acha chave tipo cartão (Mégane e outros) simples modismo, esquece da abertura automática de portas, além de um pormenor. Acaba o incômodo balançar de chaveiro com o movimento do carro. Em vários modelos ou se desiste de carregar chaves no mesmo aro ou se convive com o conjunto roçando no joelho ou batendo em partes da coluna e do painel.

DENATRAN convenceu os Detrans a cobrar o mesmo valor de uma fotocópia para se obter nova via do certificado de registro e licenciamento. A partir do dia 16, só originais são válidos. Evite deixá-los no interior do carro para não facilitar a vida de ladrões.



Texto: Fernando Calmon
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